A família e o processo de atendimento psicopedagógico

11 junho 2018 - 15:48, por , em Artigos, Nenhum comentário

A Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação e Saúde que se ocupa do processo de aprendizagem considerando o sujeito, a família, a escola e o contexto sócio-histórico daquele que aprende (ABPP,2018).

Desse modo, ao iniciarmos o atendimento psicopedagógico com as crianças, adolescentes ou adultos, procuramos compreendê-los sob diversos aspectos: escolar, familiar, contexto histórico-social e história vital.  Reunir o maior número de informações a respeito da história do cliente nos auxilia a identificar as instâncias que podem desencadear a problemática enfrentada para além de uma visão  patologizante.

Talvez esse movimento de investigação por parte do profissional reflita na dinâmica familiar que pode se sentir ameaçada, visto que, na maioria das vezes, a família desconhece a possibilidade  de que a problemática existente pode ter sua origem no grupo familiar. É muito comum que os pais ou responsáveis entendam a dificuldade de aprendizagem como algo intrínseco à criança, não reconhecendo assim a sua possível responsabilidade  à problemática dos seus filhos.  Quando a criança chega ao consultório para uma avaliação ou psicodiagnóstico, esta foi encaminhada a pedido de alguém (escola ou familiares) que, de certa forma, identificou alguma situação difícil de lidar ou uma crise. Portanto, torna-se imperativo não atribuir, apressadamente, à criança rótulos e eximir o contexto que a rodeia de responsabilidades.

Não se pretende culpabilizar este ou aquele, mas sim buscar a compreensão da problemática e oferecer recursos para que cliente e família possam ressignificar a experiência da aprendizagem. Vale ressaltar os três sentidos da palavra ressignificar neste contexto: a) dar um sentido diferente; b) reafirmar, voltar a afirmar, firmar e c) resignar-se, aceitar a realidade.

Entende-se que a partir do vínculo ou do modo como a família e cliente enfrentam a problemática, o atendimento psicopedagógico pode possibilitar uma compreensão mais ampla da situação.

Assim sendo, não podemos ver a família apenas como informante (Fernández,1991), e colocá-la á margem de uma situação que lhe diz respeito, visto que o grupo familiar é um sistema que se mantém num interjogo entre membros.

No atendimento psicopedagógico torna-se necessária fazer uma análise global da situação,  entender o padrão da dinâmica familiar num contexto histórico e social, a fim de não  pensar em hipóteses a partir de uma visão patológica do indivíduo (em questão), mas sim , a partir da compreensão  do modo como se relacionam e como vivem as etapas da vida.

As mudanças ocorrem na medida em que cliente e família se adaptem e busquem equilíbrio e entendimento das questões manifestadas em cada sessão.

Fonte de apoio:

Análise situacional ou psicodiagnóstico infantil: uma abordagem humanista-existencial, Azevedo – 2002
Site ABPP – Associação Brasileira de Psicopedagogia – 2018
Os idiomas do aprendente, Fernandez – 2001

 

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